segunda-feira, 11 de julho de 2022

Saúde mental dos adolescentes no contexto da pandemia

Conheça uma pesquisa que aborda os sentimentos e atitudes dos jovens

Ser adolescente nunca foi fácil. Uma etapa da vida mais ou menos valorizada, conforme a época. Viver uma pandemia trouxe consequências físicas, emocionais e sociais a todos, em especial aos adolescentes, pois vivem uma fase de transição e construção da identidade, o que torna essa etapa da vida muito suscetível a vulnerabilidades. No cenário pandêmico, acumulam-se vários fatores de risco para a saúde mental desta população, sendo ainda mais necessário compreender os vários fatores de risco à sua saúde mental.

Fizemos uma pesquisa online junto a 1.300 adolescentes, de ambos os sexos, visando compreender aspectos da saúde mental no que se diz respeito aos sentimentos e atitudes do adolescente frente ao distanciamento e isolamento social associado à pandemia de COVID-19. Tratou-se de um questionário intitulado Sentimentos e Atitudes do Adolescente no Isolamento Social em período de pandemia por coronavírus; seu preenchimento foi voluntário, feito pelo próprio adolescente, que recebeu as perguntas por aplicativo de mensagem, com destinação aleatória entre cidades e estados nacionais, perguntas obrigatórias, fechadas, e outras abertas e de livre escolha.

A maior parte dos respondentes era paulista (67% dos participantes), tendo-se atingido 16 dos estados do país. Estar na escola é um suporte social muito relevante, assim, o distanciamento ocasionado pela pandemia provoca uma erosão desse suporte. É importante manter contato com os amigos, ainda que por meio de aulas online, diminuindo sentimentos de solidão, tristeza e de sentir-se incompreendido e pouco acolhido em seus desejos – a frustração é inerente à ordem de isolamento social.

Passar o tempo assistindo filmes, jogando games, conversando com amigos, foram as maneiras mais mencionadas de lidar com as dificuldades da quarentena nesse momento, ainda que sejam atividades mais solitárias que não convocam a participação dos demais membros da família. A convivência com seus familiares em praticamente todo o tempo tem trazido conflitos devido aos fatores que envolvem o distanciamento social das outras pessoas também, ainda que implique em maior convivência entre os familiares que moram na mesma casa.

Observou-se que se, por um lado, que os adolescentes têm facilidade na adesão ao confinamento, conseguindo se manter distantes fisicamente e em bom contato virtual, por outro lado, eles revelam sentirem-se solitários e irritados. São vários os fatores de risco de agravamento da saúde mental para o adolescente no distanciamento, inclusive quanto a risco de transtornos mentais e de sintomas depressivos.

Os sentimentos predominantes do adolescente brasileiro são irritação e solidão, o que traz grande preocupação e necessidade de pensar em estratégias de cuidado da saúde mental dessa população. O Brasil tem instaurado propostas de variadas instituições para atendimentos on-line, mas, ainda há muitas lacunas dada a complexidade da situação pandêmica no país e no mundo. Salientamos que é importante buscar ajuda e conversar com os amigos e psicólogos para evitar esse agravamento.

 

Este texto foi elaborado por Helena Rinaldi Rosa, docente do Departamento de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo – IP/USP.


Confira os vídeos abaixo que abordam sobre os impactos da pandemia nos adolescentes:

 

A entrevista realizada com o psicólogo Wanderlei de Oliveira, pesquisador da Pontifícia Universidade Católica de Campinas - PUC Campinas, aborda sobre esse tema. Vídeo produzido pelo Instituto Nacional de Comunicação da Ciência e Tecnologia da Fundação Oswaldo Cruz (INCT/CPCT/Fiocruz): https://youtu.be/ilqFyIBOVQU

 



Esse vídeo aborda as dificuldades em lidar com o distanciamento físico social e oferece dicas para abordar esse tema com os adolescentes, diante da necessidade de ficar em casa: https://youtu.be/z0r9e8q0aok





Desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas