
Saúde mental dos adolescentes no contexto da pandemia
Ser adolescente nunca foi fácil. Uma
etapa da vida mais ou menos valorizada, conforme a época. Viver uma pandemia
trouxe consequências físicas, emocionais e sociais a todos, em especial aos
adolescentes, pois vivem uma fase de transição e construção da identidade, o
que torna essa etapa da vida muito suscetível a vulnerabilidades. No cenário pandêmico, acumulam-se vários fatores
de risco para a saúde mental desta população, sendo ainda mais necessário
compreender os vários fatores de risco à sua saúde mental.
Fizemos uma pesquisa online junto a
1.300 adolescentes, de ambos os sexos, visando compreender aspectos da saúde
mental no que se diz respeito aos sentimentos e atitudes do adolescente frente
ao distanciamento e isolamento social associado à pandemia de COVID-19.
Tratou-se de um questionário intitulado Sentimentos
e Atitudes do Adolescente no Isolamento Social em período de pandemia por
coronavírus; seu preenchimento foi voluntário, feito pelo próprio
adolescente, que recebeu as perguntas por aplicativo de mensagem, com
destinação aleatória entre cidades e estados nacionais, perguntas obrigatórias,
fechadas, e outras abertas e de livre escolha.
A maior parte dos respondentes era
paulista (67% dos participantes), tendo-se atingido 16 dos estados do país.
Estar na escola é um suporte social muito relevante, assim, o distanciamento
ocasionado pela pandemia provoca uma erosão desse suporte. É importante manter
contato com os amigos, ainda que por meio de aulas online, diminuindo sentimentos
de solidão, tristeza e de sentir-se incompreendido e pouco acolhido em seus
desejos – a frustração é inerente à ordem de isolamento social.
Passar o tempo assistindo filmes,
jogando games, conversando com
amigos, foram as maneiras mais mencionadas de lidar com as dificuldades da
quarentena nesse momento, ainda que sejam atividades mais solitárias que não
convocam a participação dos demais membros da família. A convivência com seus
familiares em praticamente todo o tempo tem trazido conflitos devido aos
fatores que envolvem o distanciamento social das outras pessoas também, ainda
que implique em maior convivência entre os familiares que moram na mesma casa.
Observou-se que se, por um lado, que os
adolescentes têm facilidade na adesão ao confinamento, conseguindo se manter
distantes fisicamente e em bom contato virtual, por outro lado, eles revelam
sentirem-se solitários e irritados. São vários os fatores de risco de
agravamento da saúde mental para o adolescente no distanciamento, inclusive
quanto a risco de transtornos mentais e de sintomas depressivos.
Os
sentimentos predominantes do adolescente brasileiro são irritação e solidão, o
que traz grande preocupação e necessidade de pensar em estratégias de cuidado
da saúde mental dessa população. O Brasil tem instaurado propostas de variadas
instituições para atendimentos on-line,
mas, ainda há muitas lacunas dada a complexidade da situação pandêmica no país
e no mundo. Salientamos que é importante buscar ajuda e conversar com os amigos
e psicólogos para evitar esse agravamento.
Este texto foi elaborado por Helena Rinaldi Rosa, docente do Departamento de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo – IP/USP.
Confira os vídeos abaixo que abordam sobre os
impactos da pandemia nos adolescentes:
A entrevista realizada com o psicólogo Wanderlei de
Oliveira, pesquisador da Pontifícia Universidade Católica de Campinas - PUC Campinas,
aborda sobre esse tema. Vídeo produzido pelo Instituto Nacional de Comunicação
da Ciência e Tecnologia da Fundação Oswaldo Cruz (INCT/CPCT/Fiocruz):
https://youtu.be/ilqFyIBOVQU
Esse vídeo aborda as dificuldades em lidar com o distanciamento físico social e oferece dicas para abordar esse tema com os adolescentes, diante da necessidade de ficar em casa: https://youtu.be/z0r9e8q0aok