
Sentimentos e sintomas frequentes na pandemia
A pandemia de Covid 19 traz
consequências que vão além dos danos físicos e psicológicos deixados nas
pessoas que se contaminaram com o vírus e no luto de familiares e amigos que
perderam seus entes queridos para esta doença. Como outros desastres naturais
impactam negativamente na saúde mental e em outros setores da sociedade, como
na economia, gerando desemprego, desigualdade social e crise financeira. Esta combinação de fatores gera aumento dos
índices de violência de todos os tipos e suicídio, e é esperado um grande aumento
de novos casos de transtornos mentais e agravamento de quadros pré-existentes,
numa expectativa de prevalência de 1 individuo acometido a cada 5 pessoas. E
grupos vulneráveis, como idosos, por exemplo, ficam mais vulneráveis.
A depressão, mesmo antes da pandemia,
já era considerada a primeira ou segunda causa de afastamento do trabalho e
junto com a ansiedade é responsável por um custo econômico global de 1 trilhão
de dólares ao ano. Pesquisas realizadas durante a pandemia de Covid 19
demonstram números alarmantes de estresse acometendo de 35 a 60% da população
mundial. Considerando que existe menos de 1 profissional de saúde mental para
cada 10.000 pessoas no mundo, sendo esta proporção menor em países de baixa
renda como o Brasil, o gerenciamento desta quarta onda da covid 19 necessitara
de um grande esforço conjunto de vários setores sociais para acolher e cuidar
do sofrimento humano.
O medo real de se contaminar e
contaminar familiares e amigos e as dificuldades impostas com o necessário
isolamento e distanciamento social para controle do contagio podem gerar estado
psicológicos alterados. Portanto é necessário reconhecer nossas sensações e
sentimentos e observarmos o quanto isto esta afetando na nossa capacidade de
viver e desempenhar nossas funções sociais e profissionais. Alterações de sono
ou apetite tanto para mais quanto para menos são sempre relevantes e devem ser
monitoradas. Sinais de estresse, ansiedade e depressão como: estado constante
de hipervigilância, irritabilidade, impaciência, desânimo, cansaço físico e
mental não justificados pelas atividades realizadas, apatia, pensamentos
acelerados, preocupação constante, dificuldade de aquietar os pensamentos,
nervosismo, pessimismo, desesperança, desprazer, desinteresse, falta de vontade
de interagir com as pessoas, solidão, tédio, mudanças bruscas de humor, falta
de atenção e perda da capacidade em se concentrar, inquietude e agitação ou
prostração significativa, apatia, culpabilização excessiva, pensamentos
repetitivos e obsessivos, sensação de pânico com tremor, boca seca,
taquicardia, falta de ar, náuseas podem indicar um grau de sofrimento que
necessitará de uma avaliação e apoio psicológico, comunitário ou mesmo
acompanhamento médico. Estas intervenções visam ajudar as pessoas a
desenvolverem recursos próprios e efetivos para manejarem melhor suas emoções e
sentimentos e terem mais condições de se adaptarem a esta situação tão difícil
e atípica a qual todos nós precisaremos passar. Se estivermos juntos será mais
fácil.
As perdas fazem parte da vida, envolvendo a morte de pessoas ou de situações significativas.
Confira algumas dicas sobre esse tema
nos links indicados abaixo:
A psicóloga Debora Noal fala sobre a pandemia de COVID-19 e as mudanças na rotina e no emocional da população, colocando em risco a nossa saúde mental. Porém, tomando alguns cuidados básicos e diários podemos manter o equilíbrio psicológico. Esse vídeo é uma produção do Instituto Nacional de Comunicação da Ciência e Tecnologia da Fundação Oswaldo Cruz (INCT-CPCT/Fiocruz): https://youtu.be/gWo4LrVQ2LY
A pandemia de COVID-19 evidenciou o quanto a internet é um serviço essencial para a população, principalmente na condição de isolamento social. Este vídeo apresenta uma conversa com Virgilio Almeida, pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais, sobre as causas e consequências da exclusão digital e seus desafios em tempos de pandemia. Vídeo também produzido pelo Instituto Nacional de Comunicação da Ciência e Tecnologia da Fundação Oswaldo Cruz (INCT-CPCT/Fiocruz): https://youtu.be/vTNhe9aL0QM
Uma cientista em seu laboratório entre as pausas pelo excesso de trabalho, em razão da pandemia de coronavírus, vai até à janela para espairecer. Lá fora, ela vê um grupo de borboletas que passam a ser os elementos que vão contribuir para o seu trabalho. O vídeo Quando tudo isso passou foi realizado pelo Laboratório de Imagem e Som (LIS) do Instituto de Artes (IA) da Unicamp e integra a Mostra Ciência, Saúde e Sociedade, produzida pela Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ, no contexto da iniciativa Olhares sobre a Covid-19. Acesse em: https://youtu.be/zZt514ndGLI
Carla Nascimento, terapeuta ocupacional e assessora técnica da Assessoria Técnica de Saúde Mental da Secretaria de Estado da Saúde apresenta como os recursos audiovisuais existentes podem minimizar o isolamento social que nos é imposto pela pandemia COVID 19: https://youtu.be/Hmf3-yyAR08
Este texto foi elaborado
por Ana Carolina Pegoraro Martins, psiquiatra da Assessoria Técnica de Saúde Mental da Secretaria de Estado
da Saúde.