quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Uso de drogas na adolescência

Um olhar ampliado sobre o tema

A adolescência, como fenômeno biopsicossocial, vem apresentando alargamento do seu período na contemporaneidade urbana, por várias características que determinam esse momento, sendo uma das principais a necessidade de autoafirmação. É um período de conflitos caracterizados por anseio a liberdade em relação à família, quando o comportamento de rebeldia mostra-se muito comum. A necessidade de pertencimento a um grupo com características similares ajuda a aliviar os conflitos, porém existe a possibilidade de assumirem comportamentos de risco, como por exemplo, o uso de drogas. A rebeldia e o uso de drogas pode ser apenas uma reação à falta de jeito de pais e educadores de lidar com essa fase de vida. A necessidade de compreensão, a discussão clara e sem preconceitos, a orientação e o apoio às modificações dessa fase são importantes para que possamos lidar com os problemas do uso de drogas pelos adolescentes, sem transformar o assunto em um “bicho de sete cabeças”.

A melhor orientação para quem se confronta com essa dificuldade com os filhos é uma conversa ampla e sincera, mas para que isso ocorra sem “ruídos”, é importante estar familiarizado com o assunto. Pesquisar, ler, estudar as diversas drogas, lícitas (legalizadas) e ilícitas (não legalizadas), ajuda a melhorar o argumento com os filhos estimulando-os a obter prazer em outras atividades mais saudáveis e construtivas.

Contudo, caso se observem sinais mais persistentes quanto a esse uso ou que ele pareça estar prejudicando o dia-a-dia do adolescente, é importante procurar ajuda profissional. No Sistema Único de Saúde - SUS, você pode buscar orientação na Unidade Básica de Saúde mais próxima de sua residência e se informar sobre as opções de cuidado disponíveis no seu município.  

 

Dica de filme:

Falando em Bicho de Sete Cabeças, há um filme com o mesmo nome, que trata justamente desse tema. Por isso, o trocadilho no texto. Dirigido por Laís Bodanzky. Este filme, do ano de 2000, é uma adaptação baseada numa história real. Conta a história do jovem Neto, que foi internado num hospital psiquiátrico, por iniciativa do pai, depois que ele encontrou um cigarro de maconha em seus pertences.

Nesse hospital, Neto acabou por ser submetido a frequentes situações de violência, devido à adoção de procedimentos muito invasivos, como uso excessivo de medicamentos, eletrochoque e solitária, utilizados de forma abusiva. Essa situação trouxe uma série de traumas e sequelas à sua vida.

É importante contextualizar que na história desses estabelecimentos, num tempo passado, essas práticas e o uso indiscriminado e abusivo delas eram comuns, até que foram realizadas mudanças, procurando garantir a proteção e os direitos das pessoas em sofrimento psíquico, por meio de um movimento chamado reforma psiquiátrica e luta antimanicomial. Hoje é possível contar com uma série de serviços substitutivos, de base comunitária, que visam um cuidado mais singularizado, inclusivo e que incentive a autonomia do sujeito.

 

Você sabia?

A Rede de Atenção Psicossocial hoje conta com estratégias diversificadas de cuidado dirigidas às crianças e adolescentes no SUS, tanto pela Atenção Básica como nos Centros de Atenção Psicossocial. Procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima de sua residência para se informar sobre as ofertas existentes em seu município.

 

Este texto foi elaborado por Khrysantho Muniz, psiquiatra e assessor da Assessoria Técnica de Saúde Mental e Alina Zoqui de Freitas Cayres, psicóloga e assessora do Núcleo Técnico de Humanização, ambos da Secretaria de Estado da Saúde.

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