
Uso de drogas na adolescência
A adolescência, como fenômeno biopsicossocial,
vem apresentando alargamento do seu período na contemporaneidade urbana, por várias
características que determinam esse momento, sendo uma das principais a
necessidade de autoafirmação. É um período de conflitos caracterizados por
anseio a liberdade em relação à família, quando o comportamento de rebeldia
mostra-se muito comum. A necessidade de pertencimento a um grupo com
características similares ajuda a aliviar os conflitos, porém existe a
possibilidade de assumirem comportamentos de risco, como por exemplo, o uso de
drogas. A rebeldia e o uso de drogas pode ser apenas uma reação à falta de
jeito de pais e educadores de lidar com essa fase de vida. A necessidade de
compreensão, a discussão clara e sem preconceitos, a orientação e o apoio às
modificações dessa fase são importantes para que possamos lidar com os
problemas do uso de drogas pelos adolescentes, sem transformar o assunto em um
“bicho de sete cabeças”.
A melhor orientação para quem se confronta
com essa dificuldade com os filhos é uma conversa ampla e sincera, mas para que
isso ocorra sem “ruídos”, é importante estar familiarizado com o assunto.
Pesquisar, ler, estudar as diversas drogas, lícitas (legalizadas) e ilícitas
(não legalizadas), ajuda a melhorar o argumento com os filhos estimulando-os a
obter prazer em outras atividades mais saudáveis e construtivas.
Contudo, caso se observem sinais mais
persistentes quanto a esse uso ou que ele pareça estar prejudicando o dia-a-dia
do adolescente, é importante procurar ajuda profissional. No Sistema Único de
Saúde - SUS, você pode buscar orientação na Unidade Básica de Saúde mais
próxima de sua residência e se informar sobre as opções de cuidado disponíveis
no seu município.
Dica
de filme:
Falando em Bicho
de Sete Cabeças, há um filme com o mesmo nome, que trata justamente desse
tema. Por isso, o trocadilho no texto. Dirigido por Laís Bodanzky. Este filme, do ano de 2000, é uma adaptação baseada numa história real.
Conta a história do jovem Neto, que foi internado num hospital psiquiátrico,
por iniciativa do pai, depois que ele encontrou um cigarro de maconha em seus
pertences.
Nesse
hospital, Neto acabou por ser submetido a frequentes
situações de violência, devido à adoção de procedimentos muito invasivos,
como uso excessivo de medicamentos,
eletrochoque e solitária, utilizados de forma abusiva. Essa situação trouxe uma série de traumas e sequelas à sua vida.
É
importante contextualizar que na história desses estabelecimentos, num tempo
passado, essas práticas e o uso indiscriminado e abusivo delas eram comuns, até
que foram realizadas mudanças, procurando garantir a proteção e os direitos das
pessoas em sofrimento psíquico, por meio de um movimento chamado reforma
psiquiátrica e luta antimanicomial. Hoje é possível contar com uma série de
serviços substitutivos, de base comunitária, que visam um cuidado mais
singularizado, inclusivo e que incentive a autonomia do sujeito.
Você
sabia?
A Rede de Atenção Psicossocial hoje conta com estratégias diversificadas
de cuidado dirigidas às crianças e adolescentes no SUS, tanto pela Atenção
Básica como nos Centros de Atenção Psicossocial. Procure a Unidade Básica de
Saúde mais próxima de sua residência para se informar sobre as ofertas
existentes em seu município.
Este texto foi
elaborado por Khrysantho Muniz, psiquiatra e
assessor da Assessoria Técnica de Saúde Mental e Alina Zoqui de Freitas Cayres, psicóloga e assessora do Núcleo Técnico de Humanização, ambos da Secretaria de Estado da
Saúde.