
Conheça a RAPS
A Rede de Atenção Psicossocial é composta por um conjunto de serviços
de saúde que se organizam nas regiões. Por muitos anos, por diferentes motivos
e até por preconceito e desconhecimento entendeu-se que tratar em saúde mental
era sinônimo de exclusão e assim a internação, que hoje deve ter por objetivo o
tratamento somente de casos de crise grave, assumiu no passado o papel de
estratégia preferencial. O isolamento era considerado terapêutico.
Na época em que nascia o SUS, que foi uma importante conquista,
fruto das reinvindicações de movimentos sociais, que ficou conhecido como
reforma sanitária, ocorrida nos tempos da retomada da democracia no país. E
esse modelo excludente, da internação de longa duração e sem prazo para
encerrar, em grandes hospitais psiquiátricos, foi duramente criticado por esses
movimentos que também passaram a propor uma reforma psiquiátrica.
Desde então, o SUS tem somado esforços para implantar uma ampla
rede de cuidados, hoje conhecida como Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) que
inclui serviços substitutivos a esse modelo. De base comunitária, que visa à
oferta de recursos variados para o cuidado, no território próximo à residência,
às famílias, e a comunidade.
Essa proposta segue a perspectiva de organizar um cuidado em saúde
mental universal que entende que as demandas relacionadas à situações de
sofrimento psíquico ou transtornos mentais fazem parte do que somos, do nosso
cotidiano e que não há saúde sem saúde mental.
Atualmente municípios e estados passaram a aderir a esse modelo e
a investir na implantação e ampliação da RAPS.
Acessamos essa rede a partir das Unidades Básicas de Saúde - UBS,
que são serviços municipais presentes em todas as cidades. As UBSs devem
realizar uma escuta qualificada da necessidade da população e orienta-la para o
cuidado mais adequado que na maioria dos casos acontecem na própria UBS podendo
contar também com o apoio dos Núcleos Ampliados de Saúde da Família – NASF,
presentes em muitos dos municípios.
Quando se identifica a necessidade de um cuidado mais
especializado, o usuário pode ser encaminhado para outros serviços de saúde
mental existentes no território como ambulatório com equipes de saúde mental,
Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), entre outros.
Os CAPS são serviços também municipais, especializados em saúde
mental que atendem os casos de maior severidade e persistência, estando
presentes em municípios acima de 15 mil habitantes, conforme regulamentação
legal, e encontra-se em processo de expansão nas cidades.
Na organização do território os leitos de saúde mental apresentam
um papel importante principalmente quando atuam em parceria com os demais
recursos da rede. Recomenda-se sempre que a internação seja a mais breve
possível e, que a alta responsável com a
articulação aos serviços territoriais dos municípios aconteça de forma
sistemática, tal ação reduz a necessidade de frequentes internações devido à
descontinuidade do cuidado no território.
A RAPS pode contar também com Centros de Convivência, Unidades de
Acolhimento para adultos e adolescentes, Residências Terapêuticas entre outros
serviços.
A pandemia deixou mais evidente o quanto é importante a existência
desta rede e a importância do atendimento multiprofissional com diferentes
estratégias de cuidado, ofertando um leque de opções para demandas tão
distintas, porém fundamentais para a saúde da população.
A RAPS é uma rede em crescimento que merece o investimento dos
gestores e da sociedade, pois tem a difícil proposta de ajudar no combate ao
preconceito, à exclusão e abandono das pessoas que sofrem com transtornos
mentais cada vez mais comuns na vida das pessoas. Temos a difícil missão de
cuidar para melhor nos relacionarmos coletivamente de acordo com as nossas
possibilidades singulares.
Assista o vídeo do Programa Autoestima que fala sobre a RAPS: https://youtu.be/UTDsgarAkPQ