
ADEUS JUQUERI!
Adeus, Juqueri!
Inaugurado em 1898, por Franco da Rocha, o Hospital
Psiquiátrico do Juqueri chegou, nos anos de 1970, a ter 16.000
pacientes-moradores.
Fechar os leitos ocupados por esses pacientes - moradores de
longa permanência dos hospitais psiquiátricos - num processo de
desinstitucionalização, levando-os a voltar a viver e a morar nas cidades, devolvendo-lhes
a dignidade, a cidadania, o direito de ir e vir e o cuidado em liberdade, sempre
foi um grande desafio para a gestão estadual.
Hoje, o processo de desinstitucionalização chegou àquele que
foi o maior hospital psiquiátrico público do Estado de São Paulo, com o empenho
da Coordenadoria de Serviços de Saúde e da Coordenadoria de Controle de Doenças
através da assessoria técnica de saúde mental, e com a participação de muitos
municípios que, apesar das dificuldades, acolheram e acreditaram nas
possibilidades de cada um destes cidadãos.
Diferente de outras estratégias de redução de ocupação de
leitos por moradores, o que desenvolvemos no Estado de São Paulo foi um
processo cuidadoso de desinstitucionalização que cuida dos afetos constituídos
e que busca a inclusão na vida das cidades daqueles que por anos ou décadas
tiveram seus direitos violados.
Não é mentira, hoje, 1º de abril de 2021, aconteceu! O
Juqueri fechou!
Assistir presencialmente as altas\saídas dos últimos nove
pacientes-moradores do Juqueri nos tomou por forte emoção, difícil de dizer...
Muito teremos de contar, narrar, aprender para não repetir, mas
hoje, não há palavras possíveis para informar o encerramento da longa história
do Juqueri. Nunca mais haverá pacientes-moradores, porque hospital não é lugar
de morar...
Pedimos desculpas para aqueles e aquelas, ``moradores e
moradoras´´, que não alcançaram a possibilidade e o direito de morar na cidade,
porque chegamos tarde demais...
Adeus, Juqueri!
Texto de Mirsa Elisabeth Dellosi